20.11.09

Alguns pontos sobre a #abciber09



Só hoje consegui tirar um tempo para comentar os principais tópicos (na minha visão) sobre o III Simpósio Nacional ABCiber, do qual participei de segunda a quarta em São Paulo. Não consegui fazer uma cobertura via blog como no ano passado - apenas via twitter - pois o ritmo foi bastante intenso e o evento teve um formato bem diferente dessa vez - condensado em 2 dias e não em 4 dias como em 2008, com mais um dia de reuniões (assembléia geral e reunião do CCD e da Diretoria).

1. Eixos Temáticos - Acredito que o fato de terem eixos temáticos por um lado facilitou as convergências (e divergências) mas por outro fez com que muitas sessões e mesas com temas afins ficassem um tanto esvaziadas, uma vez que muitas pessoas que eu queria ter assistido, por exemplo, estavam falando no momento em que eu apresentava ou em que moderava uma sessão. Esse foi um fato recorrente e teremos que repensar para o formato do próximo evento. Mais de 200 pessoas compareceram ao simpósio, segundo dados da organização.

2. Emergência de temas - Todos os anos, gosto de observar o fluxo de temas que emergem (e não estou falando aqui sobre hypes e modismos de pesquisa) e mesmo a continuidade e o avanço de outros. Destaco de cabeça algumas questões com as quais tenho mais familiaridade: a) discussões aprofundadas sobre a relação conceitual do entretenimento ao campo da cibercultura e, indico aqui os debates sobre games que foram muito comentados tanto devido à proliferação de mesas e trabalhos como na condução das análises. Esse definitivamente foi o ano dos games, tanto na ABCiber quanto na Aoir. Fatima Reges (UERJ)  e seu grupo de pesquisa foram bem comentadíssimos no Twitter, tanto na workshop quanto na  mesa temática, além disso, o pessoal do coletivo de pesquisa Realidade Sintética  também foi muito atuante; b)  música e cibercultura também foi um dos destaques da programação com trabalhos voltados tanto para questões mais "culturais" quanto para discussões em termos de estratégias de divulgação em redes sociais, pirataria, etc; c) cultura dos fãs novamente apareceu , talvez muito em função da adoção massiva do livro Cultura da convergência de Henry Jenkins como bibliografia de muitos programas de graduação e pós-graduação. Espero que, uma vez passado o "modismo" da leitura esse tema permaneça; d) e, por incrível que pareça epistemologia e metodologias, temas aparentemente enfadonhos e herméticos tiveram uma boa visibilidade com duas mesas temáticas lotadas e cheias de debates polêmicos e apimentados [depois farei um post sobre a mesa em que participei]; e) no que tange à questão dos trabalhos mais específicos sobre apropriações de ferramentas o Twitter foi o destaque disparado, seguido do ainda muito utilizado - no Brasil - Orkut e timidamente pelo Facebook, entre outros e) evidentemente que deixei de fora, nesse meu brevíssimo comentário,  uma série de temáticas como a questão das mídias locativas, das sensorialidades e outras.

3. Participação - A cada evento que participo nos últimos tempos, fico observando - para o bem e para o mal - a questão da participação e da cobertura via livestreaming, twitter, etc. Muda completamente a noção de presença  (afinal dá para saber se algum painel está "bombando ou não", influenciando a audiência, de certa forma, e até mesmo fazer perguntas), bem como a própria atenção às discussões e as críticas e piadas internas via hashtags, enfim, são coisas a se debaterem ainda. Tenho saído sempre tonta dos eventos por conta dessa multiplexidade midiática a ser gerenciada.

4. Rede Social Offline - A parte social do evento estava muito boa, com um coquetel e lançamentos de livros no primeiro dia e a festa no Inferno Club na noite de terça-feira. Aliás, a organização da ESPM tá de parabéns pela escolha do lugar. Tenho que admitir que fiquei quebrada pós-festa (álcool + discotecagem + reunião no outro dia de manhã). Foi ótimo rever vários colegas e amigos que pesquisam temas afins ou não com os meus, além da super bizarrice do "retorno do stalker de pesquisadores" [piada interna mode on].

15.11.09

III Simpósio Nacional da ABCiber


De amanhã, dia 16 de novembro até quarta-feira (18/11) participo de diversas formas do III Simpósio Nacional da ABCiber - Associação Brasileira dos Pesquisadores em Cibercultura que será realizado na ESPM-SP na Vila Mariana. Confiram a programação completa. Participarei em 3 momentos:

1) Como organizadora e participante da mesa Assunto-Re: Cibercultura a 8 mãos: morte, permanência, renascimento e métodos. Para uma epistemologia da cultura das redes juntamente com os queridos colegas Erick Felinto (UERJ), Maria Clara Aquino (UFRGS/ULBRA) e Sandra Montardo (FEEVALE). Dia 16/11 das 14h às 15h30. Abaixo um breve resumo da mesa e os títulos das comunicações de cada um de nós:

A mesa temática reúne quatro trabalhos de pesquisadores do campo da Comunicação que concentram suas pesquisas em torno da Cibercultura e seu desenvolvimento teórico e metodológico. Problematizar teorias e métodos, questionar conceitos e elaborar um panorama do contexto atual da pesquisa em Cibercultura é a proposta dessa mesa temática, que através dos quatro trabalhos que a compõem, busca tensionar as discussões em torno dos avanços e das deficiências e carências das investigações atuais do campo.

Futuro do Pretérito: A Morte da Cibercultura e a Teoria da Mídia Alemã - Erick Felinto

Pesquisa em Cibercultura no Brasil: entrave conceitual e carência teórico-metodológica do campo - Maria Clara Aquino


Contiguidade e atravessamento das fronteiras do "sprawl”. A hibridação metodológica entre online e offline na pesquisa empírica em cibercultura - Adriana Amaral

Netnografia e Análise de Redes Sociais: aplicações metodológicas em estudos sobre inclusão social em redes telemáticas na Web - Sandra Portela Montardo



2) Logo depois, às 16h medio a sessão 5 (sala C305) do Eixo 1 - Redes sociais, identidade e sociabilidade.


3) Na noite do dia 17 de novembro (terça-feira) juntamente com a colega Simone de Sá  - e quem mais se oferecer - vou prestar meus serviços de sound colocator para a festa do evento - que assim que souber o local, informo a vocês.


Para quem quiser participar do evento terá livestreaming das palestras dos keynote speakers no site e cobertura via twitter, seguindo a hashtag #abciber09. Conhecendo esse povo, a twittagem vai rolar solta, preparem-se e, certamente algumas mesas e sessões terão livestreaming. Já estou ansiosa pra reencontrar todo mundo. Gosto muito da maioria do pessoal dessa área, pois muitos são colegas e alguns amigos pessoais a quem admiro extra-pesquisa :)

Links dominicais

Duas leituras breves para o domingão.

1) Entrevista com Clay Shirky, onde ele comenta os conceitos desenvolvidos em "Here Comes Everybody - O poder de organizar sem organizações", recente obra do jornalista e acadêmico Clay Shirky (ainda não publicado no Brasil) - e que eu já comentei aqui no blog. Dois destaques da entrevista são: a) relação com os antecedentes históricos e não-tecnológicos ou não-técnicos (heideggerianamente falando)- humanísticos, diria eu - da cultura digital : "O que a cultura digital faz é pegar motivações ancestrais"b) apontar o Brasil como um dos agentes dessa "mudança" indicando deslocamentos no poder, da periferia ao centro e os modelos de compartilhamento - como no exemplo do funk carioca.



2) 25 Frases Marcantes sobre Tecnologia - Um apanhado feito pelo IDG Now das 25 frases que mais se disseminaram sobre tecnologia proferidas tanto por pessoas como Bill Gates, Steve Jobs, Alan Kay e Arthur C Clarke como por personagens de programas e games. Bem divertido, vale conferir!

12.11.09

"Stellar apocalyptic dreams of stark landscapes"

É, o final de semestre tá cobrando tudo com juros e multas, por isso o blog anda tão desanimado. Ainda tem mais dois eventos: ABCiber na próxima semana e SBPJor na subsequente, fora bancas, processo seletivo do MDCL e mais todo fechamento de notas, etc etc. Mas assim que possível retorno por aqui. Por ora fiquem com a bela imagem pós-apocalíptica da série The Last Day on Earth do fotógrafo Stefano Bonazzi com um clima bem steam. A dica foi do Cory Doctorow na Boing Boing.


Ataque de Pánico!

Reproduzo abaixo o post do Wandeclayt no Overclockzine, comentando o curta-metragem uruguaio de FC Ataque de Pánico que achei muito bom:.

Alta tecnologia e baixo orçamento. É a receita do uruguaio Federico Alvarez no curta Ataque de Panico. Assim como Neil Bloomkamp em seu Alive em Joburg (curta que deu origem ao blockbuster District 9), Alvarez tira Nova York e os Estados Unidos do circuito e mostra uma Montevidéu invadida por robôs gigantes no curta escrito e dirigido por ele. Alvarez faz parte do time da Murdoc Films, coletivo uruguaio que produz curtas, videoclipes e comerciais de TV. Com menos de uma semana no ar, Ataque de Pánico já contabiliza mais de  140 mil exibições no youtube. Confira o curta:

8.11.09

Vision over visibility

Porque hoje é domingo e esse show para comemorar os 20 anos da queda do muro de Berlim me causou um nó na garganta de tão lindo o portão de Brandenburgo ao fundo.. Histórico!!!

At the moment of surrender. 
Of vision over visibility. 
I did not notice the passers-by. 
And they did not notice me

7.11.09

Papo na Estante sobre Cyberpunk


Excelente o podcast sobre o subgênero cyberpunk do Papo na Estante com Ana Cristina Rodrigues, Thiago Cabello, Eric Novello, Jacques Barcia e a participação do Fabio Fernandes. Excelente debate sobre a influência da cultura cyberpunk da literatura ao cinema, passando é claro, pela tecnologia e sociedade. Destaco uma frase que dá o tom irônico da discussão: "É mais revolucionário colocar a cara do Seu Madruga no Che Guevara do que usar camiseta do Che Guevara" (Fábio Fernandes). Agradeço também a citação a minha pessoa :)

6.11.09

Cayce Pollard é um ícone fashion anti-fashion ou seria o contrário?


Da série, Sci-fi é realidade, para animar a sexta-feira, o visual icônico de  Cayce Pollard (direto do livro Pattern Recognition do mestre da FC cyberpunk, William Gibson).

5.11.09

Remember, remember, the 5th of November

There Be Dragons Out There

Muito interessante essa dica de ebook que veio da Lista da Compós:


O eBook 'There be Dragons Out There: Confronting fear, Horror and Terror', compilação dos trabalhos apresentados na 2nd Global Conference on Fear, Horror and Terror que aconteceu em Oxford, em setembro de 2008, acaba de ser lançado on-line. Quem se interessar pela temática pode baixar o livro eletrônico gratuitamente em: http://www.inter-disciplinary.net/publishing/id-press/ebooks/there-be-dragons-out-there/

Abaixo, a lista de artigos e autores.


There Be Dragons Out There: Confronting Fear, Horror and Terror
edited by Shona Hill and Shilinka Smith

ISBN: 978-1-904710-80-6

Download eBook (pdf)
File Size: 1.0Mb
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Contents

Introduction
Shona Hill and Shilinka Smith

Day 1: Fear, Horror and Terror (FHT) at the Movies and Religious Dimensions of FHT

Carnographic Culture: America and the Rise of the Torture Porn Film
Beth A. Kattelman

Getting Medieval: Re-presentations of Embodied Fear in the Film Se7en
Shona Hill

23 Days of Cannibalistic Joy: How Jeepers Creepers Sets Itself Apart from the Conventional Slasher Film
Daniel Carr

Fear, Horror and Terror: Contextual Usage in the Qur’an
Muhammad Imtiaz Zafar

Day 2: The Political Nexus and FHT and the Philosopher’s Stone
Clash of Nihilisms
Ali Riza Taskale

Long Term Terrorism in Turkey: The Government, Media and Public Opinion
Banu Baybars-Hawks

Re-presenting Representations
Ipek Atik

Dreadful Yet Irresistible Luella Miller: Horror in the Absence of Self
Chiho Nakagawa

On Chigurh’s Coin and Benjamin’s Angel: Fear, Horror, and Terror through the Fate of History
Stephen Hessel

The Politics of Fear: New Zealand’s Asian Inv-Asian Sentiment, Fear and Social Cohesion Policies
Shilinka Smith

Fear, Horror, Terror: Violent Movies for Violent Times
Thomas Riegler

Day 3: FHT in Public Faces and Public Spaces and In The Words of FHT 1
Societies under Siege: Media, Government,Politics and Citizens’ Freedoms in an Age of Terrorism
Banu Baybars-Hawks

Trash Mob: Zombie Walk & the Positivity of Monsters in Western Popular Culture
Simone do Vale

The Gothic Topography in Scandinavian Horror Fiction
Yvonne Leffler

Legends and Ghost Stores in Naples Between Two Centuries: Matilde Serao, Roberto Bracco and Benedetto Croce
Armando Rotondi

Re-reading Fear in Fairy Tales: Little Brave Riding Hood
Cynthia Jones

Day 4: FHT at the Movies 2 and In The Words of FHT 2
Portrayal of women in Popular Pakistani Cinema
Rabia Hussain Kanwal

Transgressing Boundaries: Genies in Turkish Horror Films
Y.Gurhan Topcu

Torturous Laughter: Expression and Repression of Horror in Rudyard Kipling’s “The Mark of the Beast”
Maureen Whittemore Moynihan